26/10/2014

que te mueve? // zumba




por entre um monte de trabalhos e prazos a cumprir, sabe (muito) bem desanuviar a cabeça (o corpo e a alma) durante uns minutos que sejam. é então que surge a solução que me obriga a sair do sofá que eu tanto gosto: a zumba. o que eu precisava, como disse, era de uma solução - qualquer coisa que me desse vontade de fazer exercício sem que, toda essa "coisa" fosse um autêntico sacrifício.

eu detesto ginásios. já andei em mais do que um e nada. ele foi passadeiras, bicicletas, rpm's, musculação, piscina, abdominais e nada... é que nada me fazia ter uma vontade imensa de lá voltar. arranjava desculpas para não pôr lá os pés no dia seguinte. ou tinha de estudar, ou eram os trabalhos, ou a minha cama era tão mais apetecível...

é então que a zumba vem trazer a luz de volta aos meus olhos, ser a luz ao fundo do túnel, dar-me a vontade que eu nunca tive de sair do sofá. quem me conhece sabe que eu sou a rainha do dancefloor. se há música não tão intelectual - e digamos que, em vez dela, não falha a azeiteira/pimba/parola/de forró -, eis que renasço das cinzas e, se preciso, passo a noite a dançar. não falho um casamento, uma festa de anos, um batizado, umas bodas de ouro, o que for... é, de facto, um campo que domino, mas que nunca me deu muito que pensar.

a moda da zumba, há uns meses, não se aguentava - como todas. tudo o que era ginásio apostou em aulas de zumba. era um desfile de roupas fluorescentes pelo corredor fora que me deixavam na dúvida. a partir daí, disse para mim mesma que havia de experimentar. dizia sempre que gostava de ir a uma aula, mas nunca dava o último passo. nunca me inscrevia em coisa nenhuma por achar demasiado caro - sim, outra desculpa minha: não acho razoável ter que pagar uma mensalidade inteira para apenas frequentar aulas de grupo.

vai daí que arranjei um namorado pior do que eu (no que toca a arrasar com o dancefloor, como é óbvio) e que me convenceu a ir a umas novas aulas de zumba. claro que eu não disse que não e atirei-me de cabeça. se estou a escrever sobre isto é porque, realmente, sinto mudanças - não físicas ou o que quer que se assemelhe (estás a ouvir-me, Deus do fitness?!), mas no espírito, na disposição, na vontade em me querer enfiar naquele armazém só para sair de lá a pingar e sem sentir as pernas. 

dou por mim a ouvir tudo o que é música, a ver que passos não estou a fazer bem (esqueçam, não nasci para sambar), qual a melhor roupa para levar... estou louca e completamente viciada nisto, mas é tão bom! zumbásticos, acusem-se!

digam lá se não dá vontade de abanar (secretamente) a anca?


até já,
luísa

13/10/2014

NYC // as viagens da minha vida #1

     
                                                               





enquanto não bato asas para mais um sítio incrível, aproveito para inaugurar uma nova rubrica aqui no blogue - porque nem tudo são lamechices e sopros no coração. mas Nova Iorque é, de certa forma, um grande sopro no coração, de saudade, de aperto. quando cheguei - em dezembro de 2009 - passei a primeira noite em Queens, e não me apercebi (nem de longe) aquilo que estava prestes a ver. 

Nova Iorque é como no filmes. sim, os táxis correm num amarelo torrado muito rápido. sim, há fumo que sai das sarjetas em todas as ruas. sim, decoras os números das ruas. sim, a Quinta Avenida não tem fim. sim, Times Square é o mundo todo. sim, há most wanted por todos os postes - e polícias a prendê-los. sim, há pretzels em carrinhos de venda. sim, há loucos no metro. sim, não há ninguém que não traga uma dose industrial de american coffee na mão. sim, Manhattan é de cortar a respiração. só um dia depois de ter chegado aos Estados Unidos me apercebi da grandiosidade da Big Apple.

quando me perguntam qual foi a "viagem da minha vida" (se a tiver, se é que ainda não a vivi), a minha resposta é sempre a mesma: Nova Iorque. não há medida nem peso para tudo o que se vê, para um mundo absolutamente paralelo com o qual nunca tinha contactado, que nunca pensei que existisse - só mesmo em filmes. esta é daquelas cidades que nos obrigam a lá ir uma vez mais, ou tantas outras. foi, sem dúvida, a cidade que mais me marcou e arrebatou de todas aquelas em que já estive (esperem pela #2!!).

nunca se diz o suficiente sobre Nova Iorque. mas é verdade que a cidade não dorme. que as buzinas rasgam noite dentro, que nunca há luzes suficientes, que a bola da nívea desce mesmo na contagem decrescente da passagem de ano. que a comida é intragável, que o churrasco (ou o esturricado, digamos) é imperativo em qualquer refeição. que o mcdonald's é fraquíssimo e que não há assim tantos quanto isso.

para subir ao Empire State Building é preciso paciência. a fila de espera arrasa com qualquer santo, mas nunca a pressão atmosférica me soube tão bem. nunca os ouvidos me estalaram tanto e nunca oitenta andares me pareceram tão poucos. o Central Park assegura-se de que os teus olhos estão sempre sobre ele. o vento gélido que te corta a pele das orelhas dá-te a certeza de que estás a ver a Statue of Liberty. e não há maior liberdade que essa. é tudo como nos filmes. é melhor do que nos filmes. Nova Iorque é para os que sonham acordados.

até já,
luísa

03/10/2014

o fim do mundo // o começo do meu

a vida são dois dias, e um já passou. é que estou sentimental, não sei o que é palpável e o que nunca deixou de o ser. há coisas que não se explicam, mas sim, somos capazes de perder horas a (tentar) explicá-las. há sempre um segundo de memória que insiste que a explicação do tudo (ou nada) existe(m). que o mundo, e o que lhe pertence, se traduz por palavras rápidas.

para mim, ninguém me explica o nascer do sol nem o pousar dele. o porquê da lua aparecer.. e porquê branca? não me escrevam equações, nem derivados químicos, que eu "sou de letras e não me sei dividir". é que isto não faz sentido algum, mas desabafo nas palavras, que escrevo, mas nunca explico. quem me explica o fado? e o amor? o que ele traz? cada vez menos sentido faço, que é coisa que neste caso pouco me preocupa.

hoje quis falar do amor que me inunda o peito, que me bate no coração - que ele está cá - e que não sei escrever, mas que sempre tento. há amores, e amores. há amores que dormem, outros que nunca se deitam. muitos correm no douro, outros trazem-no na capa aos ombros. há quem a rasgue enquanto chora, e a vida pára quando me cantam o fado, quando me levam à foz, quando atravesso a ponte. esse é um amor que tenho adormecido, que aos poucos sempre acorda - sem que eu lhe peça. 

mas também trago amor no beijo, no abraço, nos olhos que por vezes choram - porque o amor sempre chora. levo-o nas mãos, entrego-to a ti. e este eu não explico. nem tento. é que este tu conheces, sem que eu o diga, sem que eu to peça. há coisas que não se explicam (nem se tentam), e tu és uma delas. há uma saudade demasiada em mim, que me faz chamar-te sem razão alguma. há saudade quando te tenho por perto, e quanto te trago ao peito. e é um amor sem vírgulas, nem pontos finais, ou repetições. e explicações. é como quando o sol nasce e se deita. como quando a lua nos traz a noite. como quando me cantam o fado. 

eu não te explico, não me escondo de ti. eu levo-te ao mundo, eu trago-te comigo.



até já,
luísa